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O sertão de Santa Bárbara · por Leonardo Talau Entrar
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Te Aguardarei à Margem do Rio · Capítulo I de 1 · 14 min de leitura

Negociação de Judas

O tempo estava para chuva…

Três noites antes, o som de cascos batendo no cascalho tinha chegado até o seu quarto. Depois, a porteira abrindo. Foi na luz de um lampião velho que ele reconheceu alguém familiar no terraço de casa. Ficou perplexo, tentou alertar, mas era tarde demais.

Naquela manhã, nuvens escuras passavam pelos céus, um vento varria a poeira para cima e balançava as touceiras da beira das estradas de chão. Em meio aos tímidos assovios de pássaros, era possível também escutar o mugido da tropa de reses.

Um rebanho médio de gado descansava debaixo de uma perobeira alta, de galhos secos. Eram trinta cabeças, todas com a marca do seu pai no lombo. Era necessário sempre alguém estar atento, e olhos ligeiros cumpriam essa função, seguindo cada uma delas. Quando alguma se agitava, era o rapaz quem apartava. O dia que estava amanhecendo seria de muita lida.

O mormaço abafava o rosto daquele jovem. Não tinha a expressão de um capataz, tampouco de um vaqueiro. Conhecia os hábitos daqueles homens, mas não se sentava junto deles. Não possuía marcas, nenhuma cicatriz, nenhuma história, e ainda estava absorto em tudo o que acontecera naquela noite.

Agora era deixado ali, longe do grupo, enquanto o obrigavam a cuidar do gado.

Um bando de homens se reunia a uns quinze metros de onde o piá estava. Enquanto seus olhos pertenciam exclusivamente ao gado, os ouvidos escutavam as vozes à distância.

Os vaqueiros improvisaram uma fogueira rústica, coisa simples para um bando formado por quatro homens. Enquanto coavam o café e fatiavam o queijo, ouviam aquele rosto conhecido relatar um causo antigo que lhe acontecera.

— Tava quente naquela noite, Zulmiro, quente pra diacho… feito essa última.

— O que vou te dizer se nem sei a história?

— Não tá me entendendo? Escutou o que eu disse na estrada?

— Ele tá certo, Moacir – interveio outro homem do grupo. – Não dava para ouvir nada com o barulho dos bois.

Moacir apertou os dentes, repuxando toda a pele do pescoço, meio frustrado.

— Meu grupo deve estar ficando velho. Velho e surdo! Mas eu vou contar de novo.

Ele sentou-se em um tronco velho, perto da fogueira, ajeitou o chapéu de couro curtido, surrado e marcado, e começou a falar.

— Era tempo de quaresma, fazia umas duas colheitas que eu trabalhava para um tal de Silas, lá perto de Vila Santana. O gado dele era muito arisco, a gente não entendia direito por que, foram maltratados, decerto. Um dia um terneiro se separou do grupo, estávamos tocando a boiada do campo pro cercado.

— Desses aí a gente nem vê sumir. Como foi que descobriram?

— Ele era pequeno, ainda mamava. A gente só deu falta quando a vaca começou a mugir mais alto, tava brava, arredia, não queria seguir o bando. O terneiro não tava do lado dela. Um dos peões disse que tinha visto ele correndo para uma pedreira. O tal do Silas era um homem que não gostava de perder nada. Destratou o peão e enviou a gente de noite pra achar o terneiro. Falou que, se não o encontrasse, o prejuízo era nosso. 

— Silas? Aquele parente dos Farias? – questionou Zulmiro.

— Esse mesmo.

— Capaz! É claro que eu conheço, Moacir. Contava até os grãos de arroz que colhia.

— Lembrou agora, homem? A coisa é que ele não ia deixar aquele terneiro se perder assim. Enquanto xingava a gente, a guaipecada começou a latir no terreiro, pareciam entender o que ele falava, e o patrão ficou ainda mais bravo.

— Trabalhou muito tempo com ele, Moacir? – interrompeu o terceiro homem.

— Depois desse dia não fiquei muito tempo, Ari. O gado era muito bravo. Tinha alguma coisa estranha naquele sítio. Eu logo pedi a conta… fiz isso antes de vir pra onde manda o Conrado. A gente sempre quer coisa melhor, tu sabe.

— Pra terminar trabalhando pro Apolinário – Ari riu daquilo.

— Depois daquela noite eu precisava de um novo lugar. Essa coisa que vi me perturbou, e foi por isso que aceitei o Apolinário quando ele me ofereceu o serviço. Não foi porque o Silas era um patrão estúpido, um baita de um bicho burro. Não, não… Nós saímos à procura do terneiro, tínhamos só umas lanternas velhas de querosene, montados naqueles matungos. Fomos eu e mais dois peões, um deles era o que tinha visto o terneiro fugindo e não quis ir atrás. Nessa altura a gente já tinha marcado ele por termos levado a mijada junto. Mais tarde iríamos nos cobrar de algum jeito. Aí descemos a coxilha do sítio, seguindo o rastro até uma nascente morta, perto de uns pés de angico. Tinha um monte de pedra lascada na elevação, a que ia pra pedreira. Ali não tinha mais rastro do terneiro, só uns sinais na rocha. O cusco do seu Silas vinha junto, era um cachorro grande, desses de raça, vivia matando galinha e era uma dor de cabeça pro patrão, mas ele gostava do bicho. Não tinha latido junto com os outros cachorros antes, no terreiro. Os outros acompanharam ele na trilha, depois sumiram. Esse cão favorito do seu Silas, o Bicudo, como chamávamos, ficou com a gente um tempo, depois foi atrás deles.

Moacir pegou o café antes de continuar. Tinha acabado de ser coado.

— Está baita! – exclamou, depois tomou uns bons goles, limpou os bigodes com a palma da mão e alcançou o queijo e o pão para outro de seus homens.

— Acharam ou não acharam? – perguntou uma quarta voz, longe dali, acompanhada por um barulho ríspido.

— Tem certas coisas nessa vida que a gente tem que esquecer. A imagem daquele terneiro vem todo dia na minha cabeça.

— O que foi? Acharam morto, foi? Até parece que nunca carneou gado, Moacir.

— É diferente, Camargo.

De onde vinha a voz de Camargo, aquele outro barulho áspero o complementava. Era uma lima de afiar faca. 

— Nunca comeu carne de vitela, não? – riu o amolador de facas.

Moacir ofegou.

— Você escutou a história inteira na estrada, tô certo?

— Tava chata até a parte dos cachorros.

— Cachorros? – questionou Zulmiro, com as sobrancelhas meio arqueadas.

— Foi isso mesmo. Demoramos a madrugada inteira pra encontrar o terneiro. Eu digo e juro por tudo que é mais sagrado, pela minha falecida filha, que encontramos o bicho de um jeito que eu nunca gostaria de ter visto. A cabeça do bezerro tinha sido arrancada do corpo, e as tripas dele estavam todas pelo chão. Ele tinha sido estraçalhado, completamente desmembrado. Eu já matei muito boi com muita faca cega, já vi urrar de dor. Teu estômago revira, mas com o tempo pega o jeito. Mas o bichinho daquele jeito… todo desfeito no meio das pedras. Eu me assustei.

— Jesus… – exclamou Zulmiro.

— Quem foi que fez isso, hein, Moacir? – perguntou Camargo.

— Foi a cachorrada. Tavam todos com a boca suja de sangue, menos o Bicudo. Ele chegou depois. Tava rosnando e latindo como um louco. Nunca vi aquele guaipeca tão nervoso. O restante do bicharedo tinha achado o terneiro do dono antes e feito aquilo. Parecia até que não gostavam do seu Silas. Destruíram o animal. E o Bicudo tava lá. Deve ter achado eles depois e tentou proteger o corpo do coitado. Vomitei quando vi aquilo tudo.

Ninguém disse mais nada durante algum tempo. O café estava quente, mas amargo… O mormaço passava por entre os galhos secos, e o rosto de cada homem estava fechado. E lá no fundo ressoava o ruído da lâmina sendo afiada.

Moacir se levantou, tentou olhar para o horizonte. 

— Mais meio quilômetro. Deve ser isso que falta pra Barra Quebrada.

Ari, o mais velho do grupo, levantou-se de onde estava sentado. Caminhou até o lado do colega.

— Tem certeza que conseguiu comprador pra toda essa boiada? Quem vai querer um monte de cabeças de gado roubadas?

— Sempre tem alguém lá fora. Apolinário já fez. Não deve ser difícil.

— Eu sei, Moacir, mas isso é quando trabalhávamos para ele. Agora é diferente.

— Quem quer ser bandido tem que ter coragem. Você tem, Ari?

O velho vaqueiro tentou dizer algo, mas se conteve. Mordeu os lábios, ameaçou xingá-lo e então falou.

— Por falta de opção, eu tenho, Moacir.

— Fica tranquilo. É só a Barra Quebrada que nos separa do outro lado.

— Só a Barra Quebrada? Escutou isso, Zulmiro? Camargo? É a merda da Barra Quebrada, tu sabe?

— Ari, eu ouvi você a estrada toda falando de chuva, eu tô nem aí se choveu mesmo na Serra. A travessia não demora muito.

Zulmiro se juntou aos dois, olhando o horizonte para onde a estrada levava: um rio que não parava de correr os esperava, e eles já podiam escutar o seu barulho.

— O Ari tá certo, Moacir. Temos trinta cabeças de gado pra cruzar o rio logo agora que vai chover.

— Zulmiro – respondeu o líder meio irritado – tu concordou com isso.

— Não foi por você não, foi por causa daquele desgraçado do Apolinário, e porque minha família tá me esperando lá do outro lado. Mas precisava disso? – terminou de falar, apontando para o garoto, que de longe cuidava das reses.

— O que tem o guri? Você deixaria ele lá?

— Apolinário não vai deixar barato.

— Ele é a chave para nossa escapada, você só precisa esperar mais um pouco…

— Tu sabe que só chove uma vez por ano, mas quando chove…

— Eu sei, eu sei, mas…

O barulho metálico interrompeu a todos.

— Moacir… – disse o amolador de facas – ele chegou.

Era verdade. Uma sombra de um homem tipicamente trajado como vaqueiro, assim como os outros, apareceu por ali. A grande diferença era que usava um colete de couro curtido. Poucos tinham um desses.

— Tava demorando.

O capataz se aproximou em cima de seu cavalo.

— Não pode ser, esse é o Mangalarga do Apolinário? – perguntou Moacir.

— É sim – respondeu o homem de colete de couro.

— Como foi que o patrão te deixou vir com o cavalo dele, Moisés?

— Era o mais rápido que tinha.

— Entendi… e ele tá muito nervoso?

— Nem quando o novilho quebrou a cerca eu vi ele tão bravo assim. 

Moacir deu uma risada.

— Sim, aquela vez foi engraçado.

— Escuta, você ainda pode voltar atrás. O patrão disse que aceita tudo de volta e esquece isso se devolver agora.

O líder do bando ergueu os olhos do chão.

— Nada disso, Moisés, quem vai negociar agora somos nós.

O capataz desceu do cavalo, suas esporas tocaram o chão.

— Você cometeu uma grande burrada.

— Sabe, até imaginei que o Apolinário fosse mandar você. Homem de confiança… eu tomaria cuidado, viu?

— Preciso conversar só com você, Moacir.

Ari e Zulmiro, que estavam ao redor, não entenderam aquilo. Trocaram olhares meio zangados.

— O que foi? Não pode falar para eles também?

— É uma negociação que você quer? É isso que você terá.

Moisés entregou o Mangalarga pela rédea para Ari. Ele e Moacir se retiraram para perto de outra perobeira.

De longe ficaram conversando, sem que ninguém escutasse nada.

O garoto ainda permanecia ocupado na sua tarefa de cuidar do gado. Estava longe demais para entender do que se tratava aquela discussão, mas prestava atenção. Os dois falavam de maneira acalorada, com gestos severos e expressões rudes. A única coisa que distinguia era o nome de Apolinário, dito várias vezes. O que interrompeu o seu foco foi um boi que não parava de mugir. O guri já o acalmara outras vezes, mas ele estava nervoso demais. Andara dando coices e sacudindo a cabeça, seu rabo não parava de se mexer. 

Enquanto passava a mão pelo pescoço e ecoava interjeições para ele parar de coicear os outros bichos, pensava no que é que discutiam. 

Uma saudade se apossou do seu peito. Havia deixado um mundo inteiro para trás naqueles últimos dias, inclusive a fazenda. Pensava em como sentia falta do fogão de lenha à noite, a polenta sendo feita pela nona velha, o cheiro do pomar, os poucos pés de laranja que sobraram, e em seu quarto o colchão de palha onde podia deitar-se e ocupar-se, sob a luz do lampião, de ler os livros de que tanto gostava, manuais da época passada, uma época que já se fora, e escutar dos mais velhos histórias sobre um tempo mais próspero, e também se pegava pensando no eixo do engenho que iria consertar na manhã seguinte, e suas lembranças eram tomadas pelo cheiro de querosene que se instalava no remanso do quarto, vindo daquele lampião que iluminaria o assalto do bando de Moacir à fazenda naquela madrugada.

Já estava com o bando de homens há três dias. Não lhe faltou água nem comida, mas observava como eles eram incapazes de trocar qualquer palavra com ele. Mal o olhavam, principalmente Moacir. Somente o amolador de facas não tinha vergonha de conversar com ele.

Agora lá estava o capataz, Moisés, faz-tudo da fazenda, falando com aquele outro homem, Moacir, um rosto que já não era o mesmo de outrora. Falavam de maneira surda, e o barulho do vento nos galhos das perobeiras impedia que escutasse. O sol ia cada vez mais alto. Pensou em como adoraria tomar um café quente com pão e salame. Mal havia jantado na noite anterior. Agora ele refugava a comida dos vaqueiros.

Os dois homens não paravam de falar. Falavam e falavam, cada vez mais sérios, debatendo problemas como se brigassem por jogo de truco. De repente, com uma simples frase dita pelo capataz do colete de couro, a expressão de Moacir mudou. Empalideceu de forma brusca. Ficou calado por um tempo e depois se afastou de Moisés.

Pela primeira vez se aproximou do garoto, dizendo:

— Piá, deixe a boiada aí. Vamos…

Conduziu-o até o grupo.

— O que foi, Moacir? – perguntou Zulmiro. – Ele aceitou ou o quê?

— Ari, devolva o Mangalarga.

O velho assim o fez. Camargo estava em uma sombra mais longe dali, sem poder ser visto. O enviado de Apolinário se aproximou o bastante do bando para poder dizer:

— Deus o guarde, Moacir. Você e seu bando – disse, para todos que estavam próximos.

Depois, olhando para o piá, completou:

— Bruno… sinto muito.

E assim foi embora. O líder dos peões estava quieto demais, com o olhar distante, coçando o pescoço, sem o chapéu na cabeça.

— Como foi a negociação? – perguntou Zulmiro.

— Ele pediu tudo de volta, o Bruno e a boiada.

— E o que disse?

— O que havíamos combinado entre nós. Se ele deixasse a gente ir, devolvíamos o guri, mas não quis nem saber.

Camargo riu lá longe, e então se aproximou do grupo.

— Claro que não. Você achou que o Apolinário deixaria passar em branco? 

Sua voz estava mais limpa e a faca resguardada em sua bainha.

— São muitas cabeças de gado – complementou Ari. – Não chegaram a um acerto?

Moacir riu.

— Meu velho sempre dizia que a minha teimosia um dia iria me custar caro. Eu bati o pé, as condições são claras. Será que o Apolinário… esse homem…

Bruno finalmente levantou a voz.

— O que tem o meu pai?

Na sua fala não havia raiva, somente sinceridade. Moacir não conseguiu completar, virou o rosto de vergonha e calou-se.

Ninguém conseguia responder nada. Ari e Zulmiro baixaram a aba do chapéu. Foi Camargo quem confortou o garoto.

— Não é por mal, Bruno. Você deve estar passando uns dias do diabo com a gente, mas essa é a vida de um vaqueiro. Eu nem vaqueiro sou direito, mas já trabalhei com gado antes. Teu pai também não é flor que se cheire, e você já tá bem crescido para saber disso. Não é nada pessoal.

O rapaz virou-se para o amolador de facas, com os olhos meio ressentidos. Em seguida se dirigiu ao líder da tropa.

— Não foi pessoal? Por que me trouxe então, Moacir?

Exigindo respostas do líder, obteve somente um pequeno murmúrio.

— É só até cruzarmos o rio, eu prometo…

Mas aquilo não era o bastante. O líder do bando voltou-se para os demais colegas.

— Eu tentei chegar a um meio-termo. Ofereci o guri e cinco cabeças de gado, mas ele não quis. Apolinário quer tudo de volta. Moisés deu a chance de entregarmos o que ele pediu e só desaparecermos.

— Depois de tudo o que aquele desgraçado fez com a gente? E o que disse, Moacir? – indagou Ari.

O olhar de vergonha do vaqueiro encontrou o de Bruno por um instante, depois se desviou.

— Não concordei. Falei que o piá ficaria conosco o tempo todo se ele não aceitasse a oferta…

Camargo soltou um sorriso de escárnio.

— Refém, não é mesmo? – e riu.

— Isso não importa. Peguem seus cavalos e vamos tocar o gado para a Barra Quebrada. Rápido, que a chuva vai começar.

Dessa vez, Zulmiro saiu de onde estava e protestou.

— Ei… e o Apolinário não vai fazer nada a respeito disso?

Moacir ficou paralisado. Camargo disse:

— É claro que vai.

— Diga logo, Moacir! – exigiu Zulmiro.

O líder do bando engoliu em seco.

— Bom, é melhor que saibam logo. O que está feito, está feito. Tem uma chuva vindo aí, temos trinta cabeças de gado para cruzar o rio, e agora não tem mais como voltar atrás. Apolinário disse que, se não devolvêssemos a boiada, teríamos sérias consequências.

— Vai mandar o seu grupo de vaqueiros com garruchas para buscar os bois? – comentou Camargo.

Moacir montou em seu cavalo, colocou o chapéu na cabeça e encarou os olhos de cada um dos homens, evitando o rosto de Bruno.

— Ele já entrou em contato com alguém.

— Um fazedor-de-lei? Mercenário?

— Esse homem veio com Moisés até uma parte do percurso. Um dia atrás ficou em uma pousada. Assim que for informado da minha decisão, virá atrás de nós. Apolinário o contratou para recuperar o menino e o gado. Por isso temos que ser rápidos, a travessia da Barra Quebrada não pode demorar tanto, e já estamos quase lá.

O líder tentava se desvencilhar do grupo, mandando que começassem a tocar o gado, mas os outros exigiam saber mais. Bruno, no meio deles, também queria respostas.

— Quem é esse homem, Moacir? – indagou Ari.

— O quê?

— É verdade… quem é esse mercenário aí? – completou Zulmiro.

— Vocês…

— Não veem no olhar dele a resposta? – terminou Camargo. – Diga quem é.

Todos esperaram pela explicação. Moacir praguejou, cerrou a vista e terminou dizendo:

— Deus me perdoe… é o Redentor das Almas que está vindo atrás da gente!

Conversa na varanda

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